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Dra Fernanda Belga Ottoni Porto

Retina - Distrofias de retina - Uveítes - Eletrofisiologia - Genética Ocular

Coroideremia

Uma doença hereditária rara da retina que afeta principalmente homens e que está entre as principais candidatas à terapia gênica.
 

A coroideremia é uma doença hereditária da retina caracterizada pela degeneração progressiva da coroide, do epitélio pigmentado da retina e dos fotorreceptores. Os primeiros sintomas costumam surgir ainda na infância ou adolescência, geralmente com dificuldade para enxergar no escuro, seguida por perda gradual do campo visual periférico. A visão central frequentemente permanece preservada por muitos anos.

Embora compartilhe algumas características com a Retinose Pigmentar, a coroideremia possui causa genética, padrão de herança e evolução próprios.

Meu objetivo é ajudar cada paciente e sua família a compreenderem o diagnóstico, identificar a alteração genética responsável, acompanhar a progressão da doença e discutir as perspectivas atuais e futuras da pesquisa científica.

Nesta página você encontrará:

• O que é Coroideremia?

• Por que ela acontece?

• Quais sintomas são comuns?

• Como costuma evoluir?

• Quais exames ajudam no diagnóstico?

• O que a pesquisa científica está mudando?

• Uma doença complexa exige uma avaliação individualizada

• O que ainda não sabemos apenas pela internet?

• Perguntas que só podem ser respondidas individualmente

• Como penso o acompanhamento dos meus pacientes

• O que você deve fazer agora?

• O que faz diferença no acompanhamento especializado?

• Quando vale a pena procurar uma avaliação especializada?

O que é Coroideremia?
 

A coroideremia é uma distrofia hereditária da retina ligada ao cromossomo X. Ela provoca degeneração progressiva da retina, da coroide e do epitélio pigmentado da retina, estruturas fundamentais para o funcionamento da visão.

A doença afeta principalmente homens, enquanto mulheres portadoras geralmente apresentam poucos sintomas ou alterações mais discretas. Entretanto, algumas portadoras podem desenvolver manifestações visuais ao longo da vida.

Por ser uma doença rara, muitas vezes o diagnóstico inicial pode ser confundido com outras distrofias hereditárias da retina.

Por que ela acontece?
 

A coroideremia é causada por alterações no gene CHM, responsável pela produção da proteína REP1 (Rab Escort Protein 1), importante para o transporte intracelular e a manutenção da função celular na retina.

Quando essa proteína não funciona adequadamente, ocorre degeneração progressiva das células da retina, do epitélio pigmentado e da coroide.

A herança é ligada ao cromossomo X:

  • homens com a alteração genética geralmente desenvolvem a doença;

  • mulheres portadoras podem transmitir a alteração aos filhos;

  • filhos homens têm risco de serem afetados;

  • filhas podem tornar-se portadoras.

Por isso, o aconselhamento genético costuma ser uma parte importante do acompanhamento.

Quais sintomas são comuns?
 

Os sintomas mais frequentes incluem:

  • dificuldade para enxergar no escuro (nictalopia);

  • adaptação lenta à baixa iluminação;

  • perda progressiva do campo visual periférico;

  • visão em túnel nas fases mais avançadas;

  • dificuldade para se locomover em ambientes escuros;

  • redução gradual da visão central em fases tardias;

  • dificuldade para reconhecer detalhes quando a mácula passa a ser afetada.

A dificuldade para enxergar no escuro costuma ser o primeiro sintoma percebido, muitas vezes ainda na infância.

Como costuma evoluir?

​

A evolução da coroideremia é relativamente característica.

A maioria dos pacientes apresenta:

  • nictalopia na infância;

  • perda progressiva do campo visual durante a adolescência e vida adulta;

  • preservação da visão central durante décadas;

  • redução importante da visão central geralmente a partir da quinta ou sexta década de vida.

Entretanto, a velocidade de progressão pode variar significativamente entre indivíduos e até mesmo entre membros da mesma família.

Por isso, não é possível prever com precisão a evolução apenas pelo nome da doença.

Quais exames ajudam no diagnóstico?

 

O diagnóstico geralmente combina avaliação clínica, imagem multimodal, eletrofisiologia e genética.

Os principais exames incluem:

  • exame oftalmológico completo;

  • autofluorescência da retina;

  • tomografia de coerência óptica (OCT);

  • campo visual;

  • eletrorretinograma (ERG);

  • retinografia;

  • exames de campo amplo (widefield imaging);

  • teste genético;

  • aconselhamento genético.

    A autofluorescência e o OCT frequentemente permitem acompanhar a área residual de retina funcional e monitorar a progressão da doença ao longo do tempo.

O que a pesquisa científica está mudando?

A coroideremia é uma das doenças hereditárias da retina mais estudadas no campo das terapias avançadas.

As principais linhas de pesquisa incluem:

  • terapia gênica baseada em vetores AAV;

  • estudos de história natural;

  • biomarcadores estruturais e funcionais;

  • terapias celulares;

  • medicina de precisão;

  • estratégias neuroprotetoras.

A coroideremia foi uma das primeiras doenças hereditárias da retina a chegar aos ensaios clínicos de terapia gênica em humanos. Diversos estudos demonstraram segurança e resultados encorajadores, embora ainda não exista uma terapia amplamente aprovada para a maioria dos pacientes.

O avanço da pesquisa nessa área é um dos mais promissores dentro das doenças hereditárias da retina.

Em resumo

✔ É uma doença hereditária

✔ Existem também a retinosquisis relacionada à idade que não tem causa genética

✔ O teste genético pode auxiliar no diagnóstico

✔ O acompanhamento deve ser individualizado

Uma doença complexa exige uma avaliação individualizada

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Embora o gene responsável seja conhecido, a coroideremia está longe de ser uma doença simples.

Pacientes podem apresentar:

  • velocidades de progressão diferentes;

  • áreas residuais de retina muito distintas;

  • respostas funcionais variadas;

  • necessidades específicas de reabilitação visual;

  • diferentes possibilidades de participação em pesquisas clínicas.

Além disso, algumas formas de Retinose Pigmentar ligada ao X podem apresentar características semelhantes, tornando a confirmação genética particularmente importante.

O que ainda não sabemos apenas pela internet?
 

Mesmo após muita pesquisa, algumas perguntas não podem ser respondidas sem uma avaliação individualizada:

  • Meu diagnóstico realmente é coroideremia?

  • Qual é minha alteração genética específica?

  • Minha família deve realizar investigação genética?

  • Como minha doença provavelmente irá evoluir?

  • Sou candidato a pesquisas clínicas?

  • Existe retina suficiente para futuras terapias?

  • Quais exames devem ser repetidos periodicamente?

  • Como preservar minha funcionalidade visual pelo maior tempo possível?

Essas respostas dependem da integração entre exames, genética e acompanhamento longitudinal.

Perguntas que só podem ser respondidas individualmente

 

Durante a consulta, frequentemente discutimos questões como:

  • O resultado genético explica completamente meu quadro?

  • Existe risco para meus filhos ou irmãos?

  • Qual o estágio atual da minha doença?

  • Há pesquisas compatíveis com meu perfil?

  • Quais recursos de baixa visão podem ser úteis?

  • Como monitorar a progressão de forma adequada?

  • O que os meus exames significam na prática?

Cada resposta depende da análise individual de cada paciente.

Como penso o acompanhamento dos meus pacientes

​

Meu objetivo não é apenas confirmar um diagnóstico.

Busco compreender como a doença afeta a rotina, a mobilidade, a independência e os projetos de vida de cada pessoa.

Na coroideremia, o acompanhamento frequentemente envolve genética ocular, exames funcionais, imagem multimodal e discussão contínua das perspectivas de pesquisa clínica.

Acredito que informação de qualidade e acompanhamento estruturado são fundamentais para que o paciente possa tomar decisões bem informadas ao longo do tempo.

O que você deve fazer agora?
 

Se você recebeu um diagnóstico de coroideremia ou existe suspeita da doença:

  • confirme o diagnóstico com um especialista em doenças hereditárias da retina;

  • considere a realização do teste genético;

  • mantenha acompanhamento periódico;

  • converse sobre aconselhamento genético;

  • informe-se sobre pesquisas clínicas em fontes confiáveis;

  • conheça recursos de reabilitação visual quando apropriado;

  • acompanhe sua evolução com exames padronizados.

O que faz diferença no acompanhamento especializado?

Muitos pacientes convivem durante anos com o diagnóstico de "retinose pigmentar" sem saber que possuem coroideremia.

Uma avaliação especializada permite integrar:

  • características clínicas;

  • imagem multimodal;

  • testes funcionais;

  • genética molecular;

  • histórico familiar;

  • perspectivas de pesquisa clínica.

Esse conjunto de informações ajuda a construir um plano individualizado de acompanhamento e a compreender melhor as possibilidades atuais e futuras.

Quando vale a pena procurar uma avaliação especializada?

 

Uma avaliação especializada pode ser especialmente útil quando:

  • existe suspeita de coroideremia;

  • o diagnóstico ainda não foi confirmado geneticamente;

  • há interesse em realizar ou interpretar um teste genético;

  • existem dúvidas sobre prognóstico;

  • você deseja uma segunda opinião;

  • há interesse em pesquisas clínicas;

  • existem familiares potencialmente afetados;

  • surgiram mudanças importantes na visão ou nos exames.

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Agendar uma avaliação especializada

Cada pessoa com coroideremia apresenta uma combinação única de características clínicas, genéticas e funcionais.

Uma avaliação especializada pode ajudar a confirmar o diagnóstico, interpretar exames e testes genéticos, esclarecer dúvidas sobre prognóstico e discutir perspectivas atuais de acompanhamento, reabilitação visual e pesquisa clínica.

Agende uma avaliação especializada e receba uma orientação individualizada baseada em ciência, experiência e atualização contínua em doenças hereditárias da retina.

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