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Dra Fernanda Belga Ottoni Porto

Retina - Distrofias de retina - Uveítes - Eletrofisiologia - Genética Ocular

​Síndrome de Usher

Compreender a doença é o primeiro passo.
Compreender como ela se manifesta em você faz toda a diferença.


A Síndrome de Usher é uma doença genética rara que associa perda auditiva e uma doença hereditária da retina, geralmente a Retinose Pigmentar. Algumas pessoas também apresentam alterações do equilíbrio desde a infância.

Embora seja considerada uma síndrome, a Síndrome de Usher não é igual para todos. Existem diferentes tipos clínicos, diversos genes envolvidos e uma grande variação na forma como os sintomas se manifestam ao longo da vida.

Meu objetivo é ajudar cada paciente e sua família a compreenderem sua condição de forma individualizada, integrando informações clínicas, exames especializados, testes genéticos e as perspectivas atuais da pesquisa científica.

 

Minha experiência com a Síndrome de Usher
 

Ao longo da minha carreira, acompanhei pacientes com diferentes formas da Síndrome de Usher e participei de pesquisas clínicas internacionais voltadas para doenças hereditárias da retina, incluindo Síndrome de Usher. Essa experiência reforça diariamente a importância de integrar diagnóstico clínico, exames especializados, genética ocular e pesquisa científica para oferecer um acompanhamento individualizado. Acredito que cada paciente merece compreender não apenas o diagnóstico, mas também as perspectivas atuais e futuras relacionadas à sua condição.

Nesta página você encontrará:

• O que é Retinose Pigmentar?

• Por que ela acontece?

• Quais sintomas são comuns?

• Como costuma evoluir?

• Quais exames ajudam no diagnóstico?

• O que a pesquisa científica está mudando?

• Uma doença complexa exige uma avaliação individualizada

• O que ainda não sabemos apenas pela internet?

• Perguntas que só podem ser respondidas individualmente

• Como penso o acompanhamento dos meus pacientes

• O que você deve fazer agora?

• O que faz diferença no acompanhamento especializado?

• Quando vale a pena procurar uma avaliação especializada?

O que é SÍNDROME DE USHER?
 

A Síndrome de Usher é uma doença hereditária caracterizada pela associação entre perda auditiva neurossensorial e degeneração progressiva da retina, geralmente causada por Retinose Pigmentar.

Em alguns pacientes também ocorre comprometimento do sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio.

Atualmente, a síndrome é classificada em diferentes tipos (Usher tipo 1, tipo 2 e tipo 3), que apresentam características distintas quanto à intensidade da perda auditiva, idade de início dos sintomas visuais, alterações do equilíbrio e velocidade de progressão. Mais recentemente, o tipo 4 foi descrito.

Essa classificação é importante porque ajuda a orientar o acompanhamento clínico, o aconselhamento genético e, futuramente, poderá influenciar o acesso a terapias específicas.

Por que ela acontece?
 

A Síndrome de Usher é causada por alterações em genes envolvidos no funcionamento das células da retina e das células sensoriais do ouvido interno.

Até o momento, diversos genes já foram identificados, entre eles USH2A, MYO7A, CDH23, PCDH15, CLRN1, ADGRV1 e WHRN, entre outros.

Na maioria dos casos, a doença apresenta herança autossômica recessiva, o que significa que ambos os pais geralmente são portadores assintomáticos da alteração genética.

Identificar o gene responsável é fundamental para confirmar o diagnóstico, orientar o risco para familiares e avaliar a possibilidade de participação em pesquisas clínicas.

Quais sintomas são comuns?
 

Os sintomas variam conforme o tipo da síndrome, mas podem incluir:

  • perda auditiva, de gravidade e idade de início variável conforme o tipo;

  • dificuldade para compreender a fala, especialmente em ambientes ruidosos;

  • dificuldade para enxergar no escuro;

  • redução progressiva do campo visual ("visão em túnel");

  • dificuldade para caminhar em ambientes pouco iluminados;

  • alterações do equilíbrio em alguns pacientes;

  • redução da visão central nas fases mais avançadas.

Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas, e a intensidade pode variar significativamente.

Como costuma evoluir?

​

A evolução depende do tipo clínico da Síndrome de Usher, do gene envolvido e das características individuais de cada paciente.

Em algumas pessoas, a perda auditiva é profunda desde o nascimento e os sintomas visuais aparecem na infância.

Em outras, a audição é relativamente preservada durante muitos anos, enquanto a Retinose Pigmentar evolui de forma mais lenta.

Mesmo entre pacientes com alterações no mesmo gene, a progressão pode ser diferente.

Por isso, não é possível prever com precisão a evolução apenas com base no diagnóstico inicial.

O acompanhamento periódico permite monitorar essa evolução e adaptar as orientações ao longo do tempo.

Quais exames ajudam no diagnóstico?

 

O diagnóstico da Síndrome de Usher envolve uma abordagem multidisciplinar.

Entre os exames mais importantes estão:

  • exame oftalmológico completo;

  • tomografia de coerência óptica (OCT);

  • autofluorescência da retina;

  • campo visual;

  • eletrorretinograma (ERG);

  • testes genéticos;

  • avaliação audiológica completa;

  • audiometria;

  • avaliação do equilíbrio, quando indicada;

  • aconselhamento genético.

A integração dessas informações permite confirmar o diagnóstico e definir o subtipo da doença.

O que a pesquisa científica está mudando?


A pesquisa sobre a Síndrome de Usher evoluiu de forma significativa nos últimos anos.

Diversas estratégias estão em desenvolvimento, incluindo:

  • terapias gênicas;

  • terapias baseadas em RNA;

  • edição gênica;

  • medicamentos direcionados para mutações específicas;

  • terapias celulares;

  • optogenética;

  • novas abordagens para preservação da função retiniana.

Entre os genes mais estudados atualmente está o USH2A, MYO7A e CLRN1, alvo de diferentes programas internacionais de pesquisa na INRET.

Embora muitas dessas terapias ainda estejam em fase experimental, o conhecimento científico cresce rapidamente e amplia as perspectivas futuras para pacientes com a síndrome.

Em resumo

✔ É uma doença hereditária

✔ Existem mais de 15 genes relacionados

✔ O teste genético pode auxiliar no diagnóstico

✔ O acompanhamento deve ser individualizado

Uma doença complexa exige uma avaliação individualizada

​

A Síndrome de Usher vai muito além da associação entre perda auditiva e Retinose Pigmentar.

Cada paciente apresenta uma combinação própria de alterações genéticas, manifestações clínicas, exames e necessidades de acompanhamento.

Além da visão, é importante considerar aspectos relacionados à audição, comunicação, equilíbrio, reabilitação, planejamento familiar e qualidade de vida.

Essa complexidade torna essencial uma avaliação integrada e especializada.

O que ainda não sabemos apenas pela internet?
 

Mesmo com muitas informações disponíveis, algumas perguntas não podem ser respondidas sem uma avaliação individual.

Entre elas:

  • Meu diagnóstico realmente corresponde à Síndrome de Usher?

  • Qual é o tipo da síndrome?

  • Qual gene está envolvido?

  • Minha família deve realizar testes genéticos?

  • Como a doença provavelmente evoluirá no meu caso?

  • Sou candidato a pesquisas clínicas?

  • Existe alguma terapia em desenvolvimento para minha alteração genética?

  • Quais exames devo repetir e com que frequência?

Essas respostas dependem da análise conjunta da história clínica, dos exames, da genética e do acompanhamento ao longo do tempo.

Perguntas que só podem ser respondidas individualmente

 

Durante a consulta, frequentemente discutimos questões como:

  • Meu diagnóstico está correto?

  • Qual subtipo da Síndrome de Usher eu apresento?

  • O teste genético é indicado?

  • O resultado genético modifica meu acompanhamento?

  • Existe risco para meus filhos ou irmãos?

  • Há estudos clínicos compatíveis com meu perfil?

  • Como acompanhar minha visão e minha audição ao longo da vida?

  • Quais recursos de reabilitação podem melhorar minha qualidade de vida?

Cada uma dessas respostas depende das características individuais de cada paciente.

Como penso o acompanhamento dos meus pacientes

​

Meu objetivo não é apenas confirmar um diagnóstico.

Busco compreender como a doença interfere na vida de cada pessoa, esclarecer dúvidas, integrar informações da visão, audição e genética e construir um plano de acompanhamento individualizado.

Também considero aspectos como reabilitação visual, aconselhamento genético, acompanhamento da evolução e possibilidade de participação em pesquisas clínicas quando apropriado.

A ciência evolui rapidamente, e acompanhar essas mudanças faz parte do cuidado oferecido aos meus pacientes.

O que você deve fazer agora?
 

Se você recebeu um diagnóstico de Síndrome de Usher ou existe suspeita da doença, alguns passos costumam ser importantes:

  • confirmar o diagnóstico com um especialista em doenças hereditárias da retina;

  • realizar avaliação auditiva e oftalmológica completas;

  • considerar a realização do teste genético;

  • manter acompanhamento periódico;

  • buscar aconselhamento genético para você e sua família;

  • informar-se sobre pesquisas clínicas de forma responsável;

  • conhecer recursos de reabilitação visual e auditiva quando necessários.

O que faz diferença no acompanhamento especializado?


Pacientes com Síndrome de Usher frequentemente enfrentam desafios que vão além da visão.

Muitas vezes ainda existem dúvidas sobre o diagnóstico, o gene envolvido, o prognóstico, o risco para familiares e as perspectivas de novas terapias.

Um acompanhamento especializado integra informações oftalmológicas, genéticas e audiológicas para oferecer um plano de cuidado individualizado, baseado nas melhores evidências científicas disponíveis.

Meu compromisso é acompanhar cada paciente ao longo dessa jornada, oferecendo informação confiável, atualização científica contínua e uma avaliação personalizada das possibilidades atuais e futuras.

Quando vale a pena procurar uma avaliação especializada?

 

Uma avaliação especializada pode ser especialmente útil quando:

  • existe suspeita de Síndrome de Usher ou outro tipo de doença hereditária da retina;

  • o diagnóstico ainda não está completamente definido;

  • há interesse em realizar ou interpretar um teste genético;

  • surgiram dúvidas sobre a evolução da visão ou da audição;

  • você deseja uma segunda opinião especializada;

  • há interesse em compreender sobre a sua doença ou o risco para familiares;

  • você deseja saber se existem pesquisas clínicas compatíveis com seu caso;

  • busca um acompanhamento integrado da visão, audição e genética.

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